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quarta-feira, fevereiro 26, 2014

A Filha do Barão - Célia Correia Loureiro

Quando D. João tece a união da sua única filha, Mariana de Albuquerque, com o seu melhor amigo - um inglês que investiga o potencial comercial do vinho do Porto -, não prevê a espiral de desenganos e provações que causará a todos. Mariana tem catorze anos e Daniel Turner vive atormentado pela sua responsabilidade para com a amante. Como se não bastasse, o exército francês está ao virar da esquina, pronto a tomar o Porto e, a partir daí, todo o país.
No seu retiro nos socalcos do Douro, Mariana recomeça uma vida de alegrias e liberdade até que um soldado francês, um jovem arrastado para um conflito que desdenha, lhe bate à porta em busca de asilo. Daniel está longe, a combater os franceses, e Gustave está logo ali, com os seus ideais de igualdade e o seu afecto inabalável, disposto a mostrar-lhe que a vida é bem mais do que um leque de obrigações.


A minha opinião:
Gosto muito dos livros da escritora Célia Correia Loureiro, este não é o primeiro livro que leio dela e de certeza que não será o último.

A Mariana é uma personagem extraordinária, com uma força infinita e com um carater inquebrável. Gosto muito da sua personalidade. A personagem do Daniel também é muito forte e com um caracter irrepreensível. No início a sua moral não o permitiu desposar uma criança (Mariana ainda não era mulher) e naquela altura o facto de um homem ter uma amante não era descabido. Mas de facto o Daniel gostava das duas mulheres, tem um sentimento de proteção para as duas e não conseguia imaginar que uma das duas mulheres pudesse estar a sofrer, no caso de a Isabel estar a ser abusada nas mãos do tia e no caso de a Mariana estar abandonada e a ser importunada pela D. Sofia.

Adoro as descrições que a escritora faz dos locais, Lisboa, Porto e Norte do Douro. Faz-nos sentir que estamos nos locais a sentir as mesmas emoções retratadas por ela, os cheiros, as cores e visualizamos as pessoas e as profissões aqui descritas.

Gosto do relacionamento entre a Mariana Albuquerque e o Daniel Turner. O facto de ambos terem os seus feitios, mas no final apaixonam-se e não conseguem viver longe um do outro. Apesar de se viver muitas tragédias e existirem muitos segredos ocultos do passado é isso que torna a história real e que nos suscita curiosidade para queremos ler mais e saber o que vai acontecer às personagens.

Já tinha referido no Goodreads à escritora que não tinha gostado da personagem Maria (a dama de companhia da Mariana), pelo facto de esta ser demasiado pudica, conflituosa e deturpa os acontecimentos. Eu sei que a história se passa nos anos entre 1805 e 1808 e os costumes e boas maneiras eram diferentes da atualidade.

Não é que nos custe a acreditar que uma mulher tinha que se submeter às “ordens” do marido, mas como a Mariana era um espirito mais livre, logo eram mal visto todos os seus comportamentos. Mas o facto de a acusarem de descuidar da saúde da filha e de ter “tentado” matar a mãe custou muita a aceitar, isso também porque me custa a aceitar injustiças e na minha opinião, o que a Maria estava a provocar era uma autêntica injustiça contra a Mariana e até acho que esta a mentir em alguns factos.

Mas só para finalizar como já referi à escritora o livro deixou-me um sentimento de que a história ficou por acabar de contar, ou seja, existe uma parte da história que gostava que fosse contada e é sobre o que aconteceu à Amélia. A ficou um mistério que gostava de ver contado num próximo livro (será que podemos contar com isso?).

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